<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Avec Beauvoir</title>
	<atom:link href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com</link>
	<description>Porque ela é sempre uma boa companhia</description>
	<lastBuildDate>Sat, 21 Jan 2012 09:43:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='avecbeauvoir.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Avec Beauvoir</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/osd.xml" title="Avec Beauvoir" />
	<atom:link rel='hub' href='http://avecbeauvoir.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Uma vida &#8220;sem tempos mortos&#8221;*</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/12/11/uma-vida-sem-tempos-mortos/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/12/11/uma-vida-sem-tempos-mortos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 13:53:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[contingência]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[intelectuais]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=394</guid>
		<description><![CDATA[Assisti na última sexta-feira, 9 de dezembro, a uma das últimas apresentações do espetáculo Viver sem Tempos Mortos, em que Fernanda Montenegro interpreta um texto baseado nas memórias de Simone de Beauvoir e nas cartas que ela escreveu a Jean-Paul Sartre*. A montagem, de um respeito absoluto com a história e o pensamento da escritora, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=394&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti na última sexta-feira, 9 de dezembro, a uma das últimas apresentações do espetáculo <em>Viver sem Tempos Mortos</em>, em que Fernanda Montenegro interpreta um texto baseado nas memórias de Simone de Beauvoir e nas cartas que ela escreveu a Jean-Paul Sartre*. A montagem, de um respeito absoluto com a história e o pensamento da escritora, me emocionou, não apenas por dar vida a palavras que Simone escreveu, mas por conseguir captar o verdadeiro sentido que ela quis imprimir em sua vida.</p>
<p>O texto da peça é uma colagem de trechos dos escritos de Simone e foi produzido em conjunto por Fernanda Montenegro e pelo tradutor Newton Goldman. As frases e relatos selecionados pelos dois dramaturgos conseguem contar a história da escritora como se invadíssemos secretamente seu fluxo de consciência num momento em que ela revisita sua própria vida, sem omissões, sem disfarces, sem reducionismos, sem floreios, sem justificativas.</p>
<p>É desta forma que o texto consegue preservar sua origem, as memórias e relatos íntimos da escritora, e mantém intacto o despojamento de intencionalidade que diferencia as memórias das autobiografias. Ao fim do espetáculo, comecei a pensar na diferença conceitual entre autobiografia e memória e nos motivos que fizeram com que Simone de Beauvoir se dedicasse ao trabalho de uma memorialista. (Há pessoas que dizem que todas as obras de Simone são autobiográficas, uma afirmação que contém de cara dois erros: o desconhecimento de sua proposta intelectual e do conjunto de sua obra e a confusão entre autobiografia e memória.)</p>
<div id="attachment_395" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/12/fernanda_montenegro-1024x679.jpg"><img class="size-full wp-image-395 " title="fernanda_montenegro-1024x679" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/12/fernanda_montenegro-1024x679.jpg?w=500&#038;h=331" alt="" width="500" height="331" /></a><p class="wp-caption-text">Fernanda Montenegro no espetáculo &#039;Viver sem Tempos Mortos&#039;. Foto: Divulgação.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Memória e acaso</strong></p>
<p>Autobiografias costumam ser construções objetivas, como se o protagonista olhasse para si mesmo como um observador, e narrasse o que esse olhar descobre. O biógrafo de si mesmo produz um texto sobre sua vida, narra de modo linear e fechado a história de uma vida que encerra-se em si mesma, uma vida que se explica (e muitas vezes, se justifica). A autobiografia é uma construção intencional.</p>
<p>Esse trabalho nada tem em comum com o trabalho empreendido por um memorialista. Este se debruça sobre um fluxo de lembranças, recordações, sentimentos, que o revelam como um indivíduo que se insere no contexto histórico, familiar, social de sua época. A memória é uma escrita subjetiva, atrelada ao lugar que aquela pessoa ocupa no mundo, e está repleta de ambiguidades, dúvidas sem respostas, reflexões e questionamentos acerca desse que fala e da posição de onde se fala. O memorialista é um indivíduo que registra a descoberta de que é um ser no mundo, o biógrafo de si mesmo é um indivíduo que cria uma identidade imutável, a sua. Ao ler &#8211; ou ouvir, como no caso do espetáculo teatral &#8211; as memórias de alguém podemos entrar em contato com o indivíduo em sua contingência.</p>
<p>É curioso que aparentemente, as memórias possam parecer mais seletivas do que uma narrativa quando, na verdade, o que ocorre, é o contrário. As memórias não são lineares e não podem ser controladas inteiramente: que encadeamento de fatos e emoções nossas lembranças permitem? Depois de recordar o dia em que ela e seu grupo feminista gritaram diante de uma igreja onde se celebrava um casamento a frase &#8220;libertem a noiva&#8221; – momento que leva a plateia às gargalhadas –, qual será a lembrança seguinte de Simone de Beauvoir e como ela irá contá-la? São infinitas possibilidades e, nesse sentido, as memórias se aproximam &#8211; embora, é claro, não se igualem &#8211; a uma fala inconsciente, livre, construída a partir de associações cuja lógica de encadeamento não se controla nem se conhece.</p>
<p><strong> Memória e acaso</strong></p>
<p>Uma das grandes realizações da peça &#8220;Viver sem Tempos Mortos&#8221; é justamente captar essa essência das memórias em um texto construído, cujo encadeamento de relatos e pensamentos foi produzido por dois dramaturgos, objetivamente, com a motivação de contar uma história. Entretanto, essa construção é uma costura fina, invisível, e o público se sente diante da hesitação e da sutileza das infinitas possibilidades que caracterizam as memórias.</p>
<p>Acredito que, nesse sentido, a interpretação de Fernanda Montenegro tem um papel fundamental. A atriz (e nada vou dizer sobre Fernanda, pois acredito que seria cair em pretensões ou em lugares-comuns) poderia dar voz a Simone de modo tão absoluto. No palco, Fernanda se despe de toda caracterização, de toda a vaidade, de toda a semelhança, de toda a encenação para deixar que o texto seja &#8220;criado&#8221;  diante da plateia. A peça é, então, é o retrato de como Simone de Beauvoir relacionava-se consigo mesma e com sua época e de como ela existiu: com suas angústias, dores, sofrimentos, erros&#8230; O espetáculo consegue respeitar tudo isso sem julgamentos.</p>
<p>Vemos Fernanda Montenegro em sua camisa branca e sua calça preta, sentada em uma cadeira, nenhum cenário ao redor. A sensação é de estarmos diante de Simone de Beauvoir. A escritora nos conta suas memórias. Com a interpretação de Fernanda, as palavras pintam em nossa imaginação o cenário que não está no palco. Quando a fala de Simone poderia se deter por alguns instantes na justificativa de uma atitude ou uma escolha, na explicação de uma passagem de sua vida, o texto simplesmente encadeia o relato em um novo relato ou na revelação de um sentimento e segue adiante. Assim, percebemos que as memórias não têm fim e carregam em si a marca da insegurança e do acaso (palavra, aliás, que pontua alguns trechos da peça por meio da citação <em>&#8220;O acaso tem sempre a última palavra&#8221;</em>). Além, é claro, de funcionar em simbiose com o seu oposto, o esquecimento. E saímos do teatro certos de que Simone poderia nos dizer muito mais. E queremos mais.</p>
<p><em>Viver sem Tempos Mortos</em> consegue, assim, contar a história da escritora e filósofa mas, principalmente, revelar sua forma particular e única de estar no mundo: seu íntimo compromisso com o grupo de intelectuais, amigos, militantes políticos, amores e ideias que abraçou ao longo da vida; sua total dedicação ao projeto intelectual de fazer da sua vida a matéria-prima de sua obra de modo a construir, sim, um pensamento marcado pela subjetividade; sua plena confiança de que é a experiência individual que define nossa relação única com o mundo e nossa possibilidade de construir uma reflexão inédita. (Falei um pouco sobre isso <a title="Quem tem medo de Simone de Beauvoir?" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/09/21/quem-tem-medo-de-simone-de-beauvoir/">aqui</a>). Reduzir Simone de Beauvoir a uma autora de autobiografias certamente é perder o sentido de toda a amplitude desse projeto intelectual e do significado de um conhecimento produzido a partir da experiência.</p>
<p>Algo que Simone de Beauvoir pretendeu ao escrever suas memórias foi mostrar que não há separação entre o individual (ou íntimo) e o político. Qualquer ação individual é também política, assim como nossas crenças mais íntimas. E este é o grande salto que a peça &#8220;Viver sem Tempos Mortos&#8221; consegue dar, ao explicitar como aquilo que o existencialismo chamava engajamento toma forma e sentido na vida de um indivíduo.</p>
<p>É essa relação entre individual e político que constitui, talvez, a chave para compreender por que Simone de Beauvoir é hoje tão incompreendida e erroneamente criticada. A lógica neoliberal, consumista, individualista da contemporaneidade é forjada para construir, cristalizar e reproduzir a separação entre individual e político. Mais do que isso, para esvaziar o político e inflar o individual, a tal ponto que até mesmo em momentos de ação “explicitamente” política – como votar ou realizar uma manifestação – a maioria das pessoas usa argumentos individualistas e exclusivistas, desconsiderando que o político nos permeia. Para quem estar no mundo é submeter-se a essa lógica, uma postura como a de Simone de Beauvoir, de compromisso intelectual, político e amoroso com suas escolhas e com a liberdade não é sequer concebível, como seria compreensível?</p>
<p>As memórias de Simone de Beauvoir são a lembrança de que somos seres políticos até mesmo em nossas cartas de amor. Talvez, a expressão <em>Viver sem tempos mortos</em> seja não só uma frase emprestada por Simone de Beauvoir dos slogans de Maio de 1968, mas também uma forma de expressar qual é o papel do intelectual ao escrever suas memórias. Porque as memórias, ainda que não sejam absolutas, completas, totais, são a narrativa dos tempos e das experiências que permanecem vivos, e de modo peculiar, em cada um de nós. Para quem acredita que essa vida tem um significado político, cabe transmiti-los e eternizá-los. É isso que faz o memorialista: não, ele não conta a sua vida, ele impede que seu tempo morra.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>* A peça <em>Viver sem Tempos Mortos</em> (monólogo de Fernanda Montenegro, direção de Felipe Hirsch e direção de arte de Daniela Thomas) encerra sua temporada neste domingo, 11 de dezembro de 2011. Segundo informações da assessoria de imprensa do espetáculo, Fernanda Montenegro irá dedicar-se em 2012 a dois projetos no cinema e um na televisão. Por isso, não escrevi exclusivamente sobre a peça, mas a utilizo como motor de uma reflexão sobre Simone de Beauvoir.</p>
<p>** Cartas, em alguns momentos de suas vidas, diárias, mesmo quando poucos quarteirões os separavam, mesmo quando passavam o dia inteiro juntos. É, esses dois tinham muito o que dizer um ao outro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/394/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=394&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/12/11/uma-vida-sem-tempos-mortos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/12/fernanda_montenegro-1024x679.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">fernanda_montenegro-1024x679</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Quem tem medo de Simone de Beauvoir?</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/09/21/quem-tem-medo-de-simone-de-beauvoir/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/09/21/quem-tem-medo-de-simone-de-beauvoir/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 20:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambiguidade]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[intelectuais]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=380</guid>
		<description><![CDATA[Reproduzo abaixo texto meu publicado esta semana no portal O Pensador Selvagem. **** Recentemente, tenho lido e ouvido muitos julgamentos, de teor e tom questionáveis, a Simone de Beauvoir. E essas acusações suscitam uma pergunta: por que sua figura e seu pensamento incomodam tanto? Sua bissexualidade, vários e várias amantes, a recusa do casamento e da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=380&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reproduzo abaixo texto meu publicado esta semana <strong><a href="http://opensadorselvagem.org/ciencia-e-humanidades/instantaneos-sociologicos/quem-tem-medo-de-simone-de-beauvoir">no portal <em>O Pensador Selvagem</em></a></strong>.</p>
<p>****</p>
<p>Recentemente, tenho lido e ouvido muitos julgamentos, de teor e tom questionáveis, a Simone de Beauvoir. E essas acusações suscitam uma pergunta: por que sua figura e seu pensamento incomodam tanto? Sua bissexualidade, vários e várias amantes, a recusa do casamento e da maternidade, a liberdade e independência em um mundo cada vez mais conservador poderiam ser uma resposta. Mas a considero simplista e insatisfatória.</p>
<p>Simone de Beauvoir nasceu há 113 anos. Suas obras mais influentes foram escritas entre os anos 1940 e meados dos anos 1970. <em>O Segundo Sexo</em>, seu livro mais importante, foi publicado em 1949. Lá se vão mais de 60 anos. Mas tantas décadas parecem não ter sido suficientes para que sua obra fosse compreendida e criticada com propriedade. Ainda hoje, muitas pessoas se recusam a ler Simone de Beauvoir porque ela era “uma libertina”. E repetem-se afirmações forjadas para atribuir a ela tudo aquilo contra o que ela lutou no plano das ideias e no plano da ação. Acusam-na de submissão, de dependência, de pregar o feminismo para as outras mulheres e não praticá-lo.</p>
<p>Essa resistência a Simone de Beauvoir esbarra em questões mais profundas sobre nossa sociedade: a condição da mulher, especificamente a mulher intelectual; a relação entre a experiência vivida e a escrita da memória com a subjetividade; as expectativas que recaem sobre os intelectuais. Tentarei abordar brevemente, e de forma não sistemática, alguns desses temas tendo como referência a figura de Simone de Beauvoir.</p>
<p><strong>Experiência vivida, matéria-prima do pensamento </strong></p>
<div id="attachment_381" class="wp-caption aligncenter" style="width: 507px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/simone-de-beauvoir-5.jpg"><img class="size-full wp-image-381  " title="Simone de Beauvoir 5" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/simone-de-beauvoir-5.jpg?w=500" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Simone de Beauvoir em seu quarto no Hotel Louisiane, Paris, 1946. Foto: Fonds Photographique Denise Bellon.</p></div>
<p>A grande maioria dos julgamentos feitos a Simone de Beauvoir, acredito, baseia-se em erro primário para qualquer reflexão: desconsiderar o fato banal de que intelectuais <em>vivem</em>. Ou seja, toda vida, inclusive a de uma pensadora, é um emaranhado complexo de descobertas, conquistas, falhas, inseguranças, afirmações, sofrimentos, retrocessos, sucessos. E é em meio a essa complexidade que seu pensamento e sua ação no mundo se desenvolvem, obviamente transformando-se. É, portanto, pouco racional deixar de considerar que, aos 20 anos, aquela pessoa, como qualquer um de nós, ainda não tem o terreno de todo seu pensamento arado e cultivado. Como é pouco racional ignorar que esse trabalho exige esforço.</p>
<p>Assim, por exemplo, há quem queira invalidar o pensamento libertário e antissexista de Simone de Beauvoir baseado em sua relação com Sartre. Afirma-se que ela se submeteu a Sartre durante toda a vida e aceitou um modelo de relação que ele impôs. Isso é incorrer no erro mencionado. Então, vamos a alguns fatos sobre essa relação.</p>
<p>Simone de Beauvoir e Sartre tinham 20 e poucos anos quando firmaram um pacto que previa  um relacionamento aberto, cada um dos dois podendo envolver-se com outras pessoas. Quem propôs este pacto foi Sartre. E Simone de Beauvoir o aceitou. Logo depois, eles foram nomeados para lecionar em cidades diferentes da França. O que unia a ambos: o relacionamento sexual, amoroso, e uma afinidade intelectual que provavelmente nenhum de seus críticos ou seguidores jamais experimentou com alguém. A convivência entre ambos era, ao mesmo tempo, afetiva e  instigante. Desejavam estar próximos. Sartre propôs casamento a Simone. Ela recusou. (Muito antes de conhecê-lo, já estava decidida a não se casar e não se submeteu ao desejo dele ou à paixão.)</p>
<p>Simone de Beauvoir sempre desejou ser livre, algo que a vida em uma família burguesa empobrecida de Paris – origem que ela jamais negou – nunca lhe permitira. Liberdade de pensamento, que exercia em suas aulas a alunas do ensino médio (ela só deu aulas em universidades durante a guerra). Liberdade sexual, envolvendo-se em alguns relacionamentos pouco mais do que casuais com homens e mulheres. Liberdade intelectual, trabalhando em seus primeiros livros, que não foram finalizados.</p>
<p>Sartre, no início, chocou-se com a bissexualidade de Simone. Depois, se apaixonou por uma de suas amantes, Olga, e propôs, com veemência e insistência, um novo modelo de relacionamento, que eles chamavam “o trio”. Os três aceitaram. Foram jogados em uma situação em que precisaram rever seus preconceitos e moralismos burgueses, em um turbilhão emocional repleto de sofrimento, conflito, meias-verdades, raiva, inveja. O “trio”, ela relatou tanto em <em>A Força da Idade</em> como em <em>A Convidada</em>, foi um fracasso. Todos sofreram mais do que se divertiram, todos os limites de suas liberdades foram testados, em geral ferindo um dos três. Para dizer o mínimo: Sartre era rejeitado por Olga, que provocava ciúmes em Simone, que era invejada por Sartre por ser a preferida da garota. O terceiro elemento na relação, percebia Simone, instaurava inexoravelmente uma barreira extra à liberdade e ao desejo de cada um dos integrantes do “trio”. E todos sofriam, ora por si mesmos, ora por ver pessoas queridas sofrendo. A partir dali, Simone não integraria novos trios, negando-se a manter o arranjo. Os triângulos, tal qual no início do pacto, voltaram a existir, mas as relações a três, não.</p>
<p>Há quem entenda o sofrimento de Simone como submissão. Considero uma percepção muito estreita do que é uma experiência de vida. O sofrimento faz parte das relações humanas. Simone nunca se esquivou dessa angústia. Afinal, primeiro como uma amante da liberdade e, depois, como existencialista, ela sabia que a angústia é inevitável. E também sabia que há uma responsabilidade a ser assumida em relação a si mesmo e aos outros.</p>
<p>A única vez que Sartre propôs casamento a outra mulher, sua amante norte-americana, Simone se retirou do relacionamento. Não queria submeter-se novamente aos conflitos e insucessos do “trio”. Ele desistiu do casamento. O amor necessário entre ambos sempre superou os amores contingentes. E isso não é resultado de uma magia romântica e cheia de coraçõezinhos que surgia no ar todas as vezes que um dos dois estava efetivamente envolvido em outras relações. Foram escolhas conscientes e livres de ambos.</p>
<p>Dizem também que Simone não conheceu o prazer sexual com Sartre e que logo ele se desinteressou sexualmente dela. Duas verdades. O que não é verdade é assumir que ela se submeteu a isso como uma vítima. Simone teve vários e várias amantes e encontrou o prazer sexual em várias relações. Quando o desejo sexual de Sartre deixou de existir, ela determinou que não precisariam mais relacionar-se por mera formalidade. Com o escritor Nelson Algren, envolveu-se no amor romantizado e “tradicional” para sua época. Ele a pediu em casamento. Ela recusou. Muitos a condenam. Além de não estar disposta ao casamento e à maternidade – ele queria filhos –, Simone sabia que sua ligação, ainda que fosse apenas intelectual com Sartre, machucava Algren. Novamente, ela era confrontada com a fórmula do “trio”, em outro contexto. Melhor que cada um abraçasse sua liberdade.</p>
<p>Simone de Beauvoir escreveu milhares de páginas em romances, ensaios, memórias abordando esses e outros fatos. Considerada uma das maiores memorialistas do século 20, produziu quatro volumes bem recheados, nenhum deles com menos de 300 páginas. Somente quem ignora totalmente essa produção, ou quem tenha lido sem nada compreender, pode lançar críticas como as que reproduzo aqui.</p>
<p>Há poucos temas que ela não aborde em detalhes em suas memórias, um deles é o processo movido contra ela pelos pais de uma aluna com a qual se envolveu sexual e afetivamente. Nesses e em poucos outros casos, ela opta por não entrar em detalhes pelo simples fato de que as pessoas envolvidas estavam vivas no momento da publicação dos livros, o que poderia criar mais escândalos.</p>
<p>Em cada página das memórias, a honestidade de Simone é invejável. Ela reconhece, por exemplo, as críticas mal-informadas que ela (e Sartre) fizeram a Freud, os enganos que cometeram em algumas avaliações a respeito de personagens e colegas durante a guerra, o fato de que, durante muito tempo, ela e Sartre, embora lutando contra os ideais burgueses, se submeteram totalmente e sem sequer perceber ao estilo de vida que abominavam.</p>
<p>Simone de Beauvoir acreditava que a matéria-prima do intelectual, além da capacidade de compreender e criticar as teorias, é a própria experiência. É a partir daí, pensava, podemos construir nossa relação com o mundo, talhar nossa subjetividade e, assim, produzir uma obra relevante intelectualmente, capaz de abordar assuntos e aspectos ainda inéditos. Simone não se negava a experimentar nada novo ou diferente. Pagava um preço caro por isso: nos anos 1930, em que uma mulher desacompanhada nem sempre era aceita nem mesmo em um café, ela optava por estar só. A solidão era a chave de sua abertura para o mundo. Nos anos 1940, foi duramente criticada por suas obras, nos anos 1950, enxovalhada por <em>O Segundo Sexo</em> e cobrada por não ter &#8220;agarrado&#8221; o amor de Algren.</p>
<p><strong>Uma intelectual no tempo</strong></p>
<p>Outra crítica comum a Simone de Beauvoir é de que ela era feminista em seus livros, mas não era feminista em seu relacionamento com Sartre. Dizem que ela pregava o feminismo para outras mulheres e não o praticava.</p>
<p>Em suas memórias, Simone de Beauvoir afirma que jamais foi feminista e que <em>O Segundo Sexo</em>, publicado em 1949, nunca foi concebido como um livro feminista. Por isso, quem cobra dela uma postura feminista em todos os episódios de sua vida age de má-fé, tentando invalidar seu pensamento e suas ações de forma falaciosa. Simone de Beauvoir só se alinha ao feminismo nos anos 1970.</p>
<p>Portanto, dizer que ela pregava o feminismo para as outras mulheres e não o praticava é, no mínimo, sucumbir a um banal anacronismo. Não, ela não podia viver a juventude de acordo com algo que ela só reconheceu e valorizou na velhice. Sim, os intelectuais mudam e se transformam ao longo do tempo, e isso não invalida seu pensamento. Quando passou a participar de ações do movimento feminista, ela mesma disse que isso demonstrava que suas ideias haviam se enriquecido e aprimorado.</p>
<p><strong>A mulher e as divindades intelectuais</strong></p>
<div id="attachment_382" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/sb.jpg"><img class="size-full wp-image-382   " title="sb" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/sb.jpg?w=500" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Simone de Beauvoir, Paris, 1952. Foto: Elliott Erwitt/Magnum.</p></div>
<p><strong>As</strong> críticas inadequadas a Simone de Beauvoir, na minha opinião, mostram como ainda é difícil – para pessoas que cultivam o pensamento pouco aberto a ideias inovadoras, diferentes e sempre em transformação – aceitar o papel de uma mulher intelectual nos dias de hoje. A mulher é sempre o Outro, lembra Simone de Beauvoir em <em>O Segundo Sexo</em>, o diferente. E o lugar do intelectual, nós sabemos, é o lugar do um, do poder, da dominação. Aceitar que uma mulher ocupe esse lugar implica superar um preconceito. A resistência ao reconhecimento do papel intelectual de uma pensadora é a expressão desse preconceito: só posso atribui-la ao sexismo que é, para dizer o mínimo, uma fraqueza intelectual em qualquer pessoa.</p>
<p>Entretanto, o julgamento que ataca Simone de Beauvoir não é apenas aquele forjado no sexismo. Há um outro substrato nas acusações levianas que enumerei aqui e em outras que não há espaço para detalhar. Esse substrato é a necessidade de fazer de intelectuais verdadeiros deuses, modelos de comportamento, pessoas infalíveis que têm soluções infalíveis e que não podem ser questionadas. Pessoas que sentem essa necessidade não estão em busca de ideias e propostas, muito menos de reflexão. Sua expectativa é de que os intelectuais lhes ofereçam fórmulas prontas. Se esses deuses falham – e os verdadeiros intelectuais sempre falham porque não são os donos da verdade nem das respostas certas, apenas pessoas honestamente dispostas a fazer perguntas – são invalidados, considerados ruins, incompetentes.</p>
<p>Há uma manobra ideológica e outra, inconsciente, por trás disso.</p>
<p>Todas as vezes que acusamos veementemente alguém de ser aquilo que é indesejável, ruim, incompetente, negativo, criamos uma imagem positiva de nós mesmos. Somos exatamente o oposto daquilo que acusamos o Outro. Mas Freud já nos ensinou que, em geral, aquilo de que acusamos o Outro é aquilo que não suportamos constatar em nós mesmos.</p>
<p>Simone e Sartre construíram um sistema de pensamento que enfatiza: todos somos livres e a liberdade nos confronta a cada segundo com a angústia de fazer escolhas e com o sofrimento de nos responsabilizarmos por elas. Esse é um pensamento radical que implica, a quem adotá-lo honestamente, viver na insegurança, na incerteza e em constante contato com sua própria falibilidade e a ambiguidade.</p>
<p>Acredito que essa é a principal causa a todas as críticas levianas feitas a Simone de Beauvoir (e a Sartre). Quando as pessoas se referem a ela (ou a ele) em termos como “rever o passado”, “desconstruir mitos”, “derrubar messias”, na verdade estão fazendo uso de termos ideológicos. Buscam desqualificar o pensamento libertário, radical, transformador que, por definição, se constrói com base na exploração de visões de mundo, atitudes e comportamentos fora dos padrões e na diversidade de ideias e de ação. Nesse sentido, criticar Simone de Beauvoir (e Sartre) é muito mais construir empecilhos para que os intelectuais de hoje se inspirem ou busquem referências em suas ideias e possam pensar algo novo e tão transformador como eles pensaram em suas épocas.</p>
<p>Quem resiste a pensadores como Simone de Beauvoir e Sartre teme que alguém possa continuar a trilhar os caminhos que eles abriram. Teme palavras como liberdade, ambiguidade, imperfeição, descoberta, independência e, principalmente, responsabilidade e consciência. Teme o debate de ideias. Busca fórmulas que sustentem o <em>status quo</em>, o <em>mainstream</em> ou, para dizer de forma simples, &#8220;as coisas como elas estão&#8221;. Talvez possam encontrar algo assim em alguma religião. Jamais encontrarão isso em pensadores livres e, felizmente, imperfeitos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/380/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=380&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/09/21/quem-tem-medo-de-simone-de-beauvoir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>15</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/simone-de-beauvoir-5.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Simone de Beauvoir 5</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/09/sb.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">sb</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Com a palavra, Simone: a gênese da grande obra</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/05/24/com-a-palavra-simone-a-genese-da-grande-obra/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/05/24/com-a-palavra-simone-a-genese-da-grande-obra/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 May 2011 03:09:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Com a palavra]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[trechos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=366</guid>
		<description><![CDATA[[julho, 1946] Sentava-me no Deux Magots, olhava a página em branco. Sentia a necessidade de escrever na ponta dos meus dedos, e o gosto das palavras na garganta, mas não sabia o que começar. &#8220;Que ar bravo você tem!&#8221;, disse-me certa vez Giacometti. &#8220;É que eu queria escrever, e não sei o quê.&#8221; &#8220;Escreva qualquer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=366&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_367" class="wp-caption aligncenter" style="width: 363px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/05/3361907.jpg"><img class="size-full wp-image-367" title="3361907" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/05/3361907.jpg?w=500" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Simone de Beauvoir no Deux Magots, 1944. Foto: Robert Doisneau.</p></div>
<p>[julho, 1946]</p>
<blockquote><p><em>Sentava-me no Deux Magots, olhava a página em branco. Sentia a necessidade de escrever na ponta dos meus dedos, e o gosto das palavras na garganta, mas não sabia o que começar. &#8220;Que ar bravo você tem!&#8221;, disse-me certa vez Giacometti. &#8220;É que eu queria escrever, e não sei o quê.&#8221; &#8220;Escreva qualquer coisa.&#8221; Na verdade, eu tinha vontade de falar de mim. Gostava de L&#8217;Âge d&#8217;homme, de Leiris: gostava dos ensaios-mártires, nos quais nos explicamos sem pretexto. Comecei a pensar nisso, a tomar algumas notas, e falei do assunto com Sartre. Tive consciência de que uma primeira questão se colocava: o que significava para mim ser mulher? Primeiro pensei poder livrar-me disso rápido. Nunca tive sentimento de inferioridade, ninguém me havia dito: &#8220;Você pensa assim porque é mulher&#8221;; minha feminilidade não me atrapalhava em nada. &#8220;Para mim&#8221;, disse eu a Sartre, &#8220;isso, por assim dizer, não contou&#8221;. &#8220;De qualquer modo, você não foi criada da mesma maneira que um menino: seria preciso prestar mais atenção a isso.&#8221; Eu prestei e tive uma revelação: este mundo era um mundo masculino, minha infância fora nutrida de mitos forjados pelos homens e eu não teria de modo algum reagido a isso do mesmo modo como reagiria se tivesse sido um menino. Fiquei tão interessada, que abandonei o projeto de uma confissão pessoal para me ocupar da condição feminina em sua generalidade. Fui fazer leituras na [Biblioteca] Nacional e estudei os mitos da feminilidade.</em></p>
<p><span style="color:#008000;">Simone de Beauvoir,<em> A Força das Coisas. </em>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 113.</span><em><br />
</em></p></blockquote>
<p>No trecho acima, Simone conta como começou suas pesquisas para aquele que seria seu ensaio mais extenso e trabalhoso e, também, seu livro mais importante e influente para várias gerações. O primeiro volume da obra que nascia naqueles dias diante da página em branco no Deux Magots foi publicado em 24 de maio de 1949. <a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/">Hoje, <em>O Segundo Sexo</em> completa 62 anos</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/366/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/366/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=366&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/05/24/com-a-palavra-simone-a-genese-da-grande-obra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/05/3361907.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">3361907</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>25 anos sem Simone de Beauvoir</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/04/14/25-anos-sem-simone-de-beauvoir-2/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/04/14/25-anos-sem-simone-de-beauvoir-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 03:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambiguidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=354</guid>
		<description><![CDATA[  Simone de Beauvoir morreu em 14 de abril de 1986. Não vou evocar aqui o que essa perda representa para a filosofia, o feminismo ou o pensamento contemporâneo. Simone cumpriu seu papel como mulher, pensadora, amante, sujeito político, ficcionista, ensaísta, memorialista. E não nos cabe supor quem ela seria hoje, o que diria, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=354&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Calibri;"> </span></p>
<div id="attachment_342" class="wp-caption alignleft" style="width: 249px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone_slate.jpg"><img class="size-medium wp-image-342" style="margin:4px;" title="simone_slate" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone_slate.jpg?w=239&#038;h=300" alt="" width="239" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Slate</p></div>
<p>Simone de Beauvoir morreu em 14 de abril de 1986. Não vou evocar aqui o que essa perda representa para a filosofia, o feminismo ou o pensamento contemporâneo. Simone cumpriu seu papel como mulher, pensadora, amante, sujeito político, ficcionista, ensaísta, memorialista. E não nos cabe supor quem ela seria hoje, o que diria, o que faria &#8220;se estivesse viva&#8221;. Simone morreu.</p>
<p>O legado que ela deixou em seus livros, em sua forma de estar no mundo e ocupar-se dele como matéria-prima de cada palavra dita ou escrita, entretanto, permanece. Ainda podemos e devemos ler Simone, refletir sobre suas idéias, confrontá-las com as questões que o mundo hoje nos propõe. Não para dizer &#8220;Simone estava certa&#8221; ou &#8220;Simone estava errada&#8221;. Isso não existe. Existe apenas a possibilidade de tentar aprender com ela a pensar o mundo, a cultura, nossas contingências.</p>
<p>Já escrevi <a title="Por que ler Simone de Beauvoir hoje?" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/09/13/por-que-ler-simone-de-beauvoir-hoje/">aqui</a> e <a href="http://tecituras.wordpress.com/2010/10/25/a-atualidade-de-simone-de-beauvoir/">aqui</a> sobre algumas das questões que tornam sua obra atual. Mas acho que posso acrescentar que Simone nos mostrou que para pensar e viver é necessário mergulhar na diferença, sair dos padrões, assumir que o indivíduo é único apesar de todas as pressões externas que podem impeli-lo à alienação, à servidão, ao conformismo, à reprodução de normas e regras sociais.</p>
<p>Reconhecer, aceitar e respeitar a diferença são as únicas formas de construirmos nossa existência no mundo. Não significa que nunca teremos preconceitos, nem que agiremos sempre corretamente, sem causar males ao mundo. Significa apenas que estaremos cientes de nossos preconceitos, de nossas contradições, e de como tudo isso influencia nossas motivações. Conscientes, talvez possamos mudar algo. Simone nos mostrou ainda que sujeitar-se aos padrões e regras sociais, às pressões e às crenças, sem efetivamente valorizá-las, é uma forma fantasiosa de abrir mão do indivíduo único que somos, porque a responsabilidade por nossos atos e escolhas é pessoal e intransferível.</p>
<p><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone-de-beauvoir.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-343" style="border:6px;" title="simone-de-beauvoir" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone-de-beauvoir.jpg?w=203&#038;h=288" alt="" width="203" height="288" /></a>Talvez por essa posição que, quando estendida a todas as áreas da vida, nada tem de simpática, Simone ainda hoje seja criticada e não tolerada por alguns grupos. Hoje, 103 anos após seu nascimento, 25 anos após sua morte, 62 anos após a publicação de seu ensaio filosófico mais importante, <a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/"><em>O Segundo Sexo</em></a>, Simone é um incômodo para quem se apega a pensamentos prontos, ao conservadorismo e ao moralismo. E se isso acontece, é porque ela foi pouco compreendida. Ou melhor, é porque o que ela nos diz sobre nós mesmos foi pouco compreendido.</p>
<p>Simone de Beauvoir incomoda porque intelectualmente era ousada e, ao mesmo tempo, séria e precisa. Porque era uma burguesa em constante luta contra sua classe e os (maus) hábitos que a constituem. Porque sua vida amorosa, sua busca constante pela quebra de tabus e de regras de exclusividade no amor, não a livraram do sofrimento, do ciúme, da insegurança. E porque, sinceramente, não podemos perdoá-la por ter vivido a liberdade com que todos sonhamos e ter nos mostrado que uma vida assim não é um idílio, um paraíso, uma salvação. Liberdade é um conceito fundamental no pensamento de Simone: para ela, liberdade é a incerteza, o risco, a ambiguidade.</p>
<p>Simone incomoda porque não fez o que nós gostamos de pensar hoje que ela deveria ter feito: não foi boazinha, não evitou escrever sobre temas &#8220;feios&#8221; como aborto, masturbação, dominação, submissão, e pior, em nenhum momento de sua vida se desfez em desculpas por essas impropriedades. Ela incomoda porque não propôs fórmulas e não seguiu nenhuma. E como podemos respeitar uma intelectual que não nos serve de modelo? Uma figura pública em que não conseguimos projetar nem a imagem da mulherzinha nem a da pensadora irrepreensível, da heroína libertária ou da fêmea submissa, da mulher imoral ou da santa. Ela incomoda porque recusou acomodar-se nos extremos e se dedicou justamente a explorar os pontos em que os opostos, as diferenças, os limites se misturam.</p>
<p>Simone mergulhou naquela zona de fronteira em que nada é nem exatamente certo nem errado, nem bonito nem feio, nem limpo nem sujo e, assim, ela nos incita à procura de nossas as próprias respostas, sem nos dar garantias de que as encontraremos. Incomoda porque não toma para si o peso do mundo. Ao contrário, ela nos devolve esse peso. É o peso da liberdade.</p>
<p>Hoje faz 25 anos que Simone morreu. Mas mantê-la presente em nossas memórias, em nossos pensamentos e nos debates intelectuais ainda é um aprendizado de vida para todos nós.</p>
<div id="attachment_344" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/800px-sartrebeauvoir_grave.jpg"><img class="size-full wp-image-344 " title="800px-Sartre+Beauvoir_grave" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/800px-sartrebeauvoir_grave.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Túmulo de Simone de Beauvoir e Sartre no Cemitário de Montparnasse, onde pessoas de todo o mundo deixam presentes, flores e bilhetes para o casal. Este blog é meu longuíssimo bilhete para Simone. Foto: Wikimedia</p></div>
<p style="text-align:center;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/354/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/354/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=354&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/04/14/25-anos-sem-simone-de-beauvoir-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone_slate.jpg?w=239" medium="image">
			<media:title type="html">simone_slate</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/simone-de-beauvoir.jpg?w=210" medium="image">
			<media:title type="html">simone-de-beauvoir</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/04/800px-sartrebeauvoir_grave.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">800px-Sartre+Beauvoir_grave</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Com a palavra, Simone: o mito que enfraquece</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/03/08/com-a-palavra-simone-o-mito-que-enfraquece/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/03/08/com-a-palavra-simone-o-mito-que-enfraquece/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Mar 2011 13:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambiguidade]]></category>
		<category><![CDATA[Com a palavra]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[trechos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=337</guid>
		<description><![CDATA[O Segundo Sexo é um livro destruidor de mitos. Em cada uma de suas páginas, Simone de Beauvoir dedica todo seu cuidado de pesquisa e sua inteligência a mostrar que a imagem que se contruiu ao longo dos séculos da mulher como símbolo de beleza, de pureza, de perfeição, do bem, da virtude, do amor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=337&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/"><em>O Segundo Sexo</em></a> é um livro destruidor de mitos. Em cada uma de suas páginas, Simone de Beauvoir dedica todo seu cuidado de pesquisa e sua inteligência a mostrar que a imagem que se contruiu ao longo dos séculos da mulher como símbolo de beleza, de pureza, de perfeição, do bem, da virtude, do amor maternal, da &#8220;natureza&#8221; acolhedora e benévola não passa de uma armadilha. É com essas palavras que se opera uma das estratégias de dominação: transformar a mulher em algo diferente do humano, mantê-la na condição de outro, aprisioná-la na posição de passividade, evitar sua resistência ao poder que a oprime. A mulher é enredada em uma farsa.</p>
<blockquote><p>Em troca de sua liberdade, presentearam-na com os tesouros falazes de sua &#8216;feminilidade&#8217;. Balzac descreveu muito bem essa manobra quando aconselhou ao homem que a tratasse como escrava, persuadindo-a de que é rainha.</p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#008000;"><em>O Segundo Sexo</em>, volume único. São Paulo: Nova Fronteira, 2010</span><span style="color:#008000;">, pp. 923-924.</span></p>
</blockquote>
<p>Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, acho que a melhor comemoração é dedicar alguns minutos para uma reflexão. Queremos ser &#8220;rainhas&#8221; em um mundo de desigualdades? Queremos ficar presas a uma imagem falsamente elogiosa mas, na verdade, <a title="A violência oculta" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/11/25/a-violencia-oculta/">violenta, porque destroi nossa liberdade de luta e nossa autonomia</a> sobre nossos corpos e nossas mentes? Deixo aqui alguns parágrafos de outro trecho de <em>O Segundo Sexo</em> em que Simone de Beauvoir nos convida a essa reflexão.</p>
<blockquote><p>O mito da mulher desempenha um papel considerável na literatura; mas que importância tem na vida quotidiana? Em que medida afeta os costumes e as condutas individuais? Para responder a essas perguntas seria necessário determinar as relações que mantém com a realidade.</p>
<p>Há diversas espécies de mitos. Este, sublimando um aspecto imutável da condição humana que é o &#8220;seccionamento&#8221; da humanidade em duas categorias de invidíduos, é um mito estático; projeta em um céu platônico uma realidade apreendida na experiência ou conceitualizada a partir da experiência. Ao fato, ao valor, à significação, à noção, à lei empírica, ele substitui uma ideia transcendente, não temporal, imutável, necessária. Essa ideia escapa a qualquer contestação porquanto se situa além do dado; é dotada de uma verdade absoluta.</p>
<p>Assim, à existência dispersa, contingente e múltipla das mulheres, o pensamento mítico opõe o Eterno Feminino único e cristalizado; se a definição que se dá desse Eterno Feminino é contrariada pela conduta das mulheres de carne e osso, estas é que estão erradas. Declara-se que as mulheres não são femininas e não que a Feminilidade é uma entidade. Os desmentidos da experiência nada podem contra o mito. Entretanto, de certa maneira, este tem sua fonte nela. Assim é exato que a mulher é outra e essa alteridade é concretamente sentida no desejo, no amplexo, no amor; mas a relação real é de reciprocidade; como tal, ela engendra dramas autênticos: através do erotismo, do amor, da amizade e suas alternativas de decepção, ódio, rivalidade, ela é luta de consciências que se consideram essenciais, é reconhecimento de liberdades que se confirmam mutuamente, é a passagem indefinida da inimizade à cumplicidade. Por a Mulher é por o Outro absoluto, sem reciprocidade, recusando contra a experiência que ela seja um sujeito, um semelhante.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Como as representações coletivas e, entre outros, os tipos sociais definem-se geralmente por pares de termos opostos, a ambivalência parecerá uma propriedade intrínseca do Eterno Feminino. A mãe santa tem como correlativo a madrasta cruel; a moça angélica, a virgem perversa: por isso ora se dirá que a Mãe é igual à Vida, ora que é igual à Morte, que toda virgem é puro espírito ou carne votada ao diabo. Não é evidentemente a realidade que dita à sociedade ou aos indivíduos a escolha entre os dois princípios opostos de unificação; em cada época, em cada caso, sociedade e indivíduos decidem de acordo com suas necessidades. Muitas vezes projetam no mito adotado as instituições e os valores a que estão apegados. Assim, o paternalismo, que reclama a mulher no lar, define-a como sentimento, interioridade e imanência; na realidade, todo existente é, ao mesmo tempo, imanência e transcendência; quando não lhe propõem um objetivo, quando o impedem de atingir algum, quando o frustram em sua vitória, sua transcendência cai inutilmente no passado, isto é, recai na imanência; é o destino da mulher, no patriarcado; não se trata, porém, da mesma vocação tal como a escravidão não é a vocação do escravo. Percebe-se claramente, em Comte, o desenvolvimento dessa mitologia. Identificar a Mulher ao Altruísmo é garantir ao homem direitos absolutos à sua dedicação, é impor às mulheres um dever-ser categórico.</p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#008000;"><em>O Segundo Sexo</em>, volume único. São Paulo: Nova Fronteira, 2010, pp. 343-345.</span></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/337/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/337/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=337&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/03/08/com-a-palavra-simone-o-mito-que-enfraquece/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Com a palavra, Simone: Torna-se mulher</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/02/13/com-a-palavra-simone-torna-se-mulher/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/02/13/com-a-palavra-simone-torna-se-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Feb 2011 12:57:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Com a palavra]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[trechos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=332</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.&#8221; A frase de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo se tornou tão forte e tão repetida que é, ao mesmo tempo, um tributo e um desserviço a sua obra. Tributo, porque é uma frase forte que condensa um pensamento inovador: o de que por trás de nossas características biológicas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=332&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.&#8221;</em> A frase de Simone de Beauvoir em <em><a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/">O Segundo Sexo</a></em> se tornou tão forte e tão repetida que é, ao mesmo tempo, um tributo e um desserviço a sua obra. Tributo, porque é uma frase forte que condensa um pensamento inovador: o de que por trás de nossas características biológicas existe um edifício feito de preconceitos e dominação que nada tem de natural. Desserviço, porque para quem desconhece Simone e sua obra, a frase é um enigma nem sempre decifrável. Acredito que não é por acaso que muitas pessoas chegam ao blog buscando o significado dessas palavras. E basta ir além no parágrafo que esse significado se explica. Então, lá vai:</p>
<blockquote><p>Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferenciada. Entre meninas e meninos, o corpo é, primeiramente, a irradiação de uma subjetividade, o instrumento que efetua a compreensão do mundo: é através dos olhos, das mãos e não das partes sexuais que apreendem o universo. O drama do nascimento, o da desmama desenvolvem-se da mesma maneira para as crianças dos dois sexos; têm elas os mesmos interesses, os mesmos prazeres; a sucção é, inicialmente, a fonte de suas sensações mais agradáveis; passam depois por uma fase anal em que tiram, das funções excretórias que lhe são comuns, as maiores satisfações; seu desenvolvimento genital é análogo; exploram o corpo com a mesma curiosidade e a mesma indiferença; do clitóris e do pênis tiram o mesmo prazer incerto; na medida em que já se objetiva sua sensibilidade, voltam&#8211;se para a mãe: é a carne feminina, suave, lisa, elástica que suscita desejos sexuais e esses desejos são preensivos; é de uma maneira agressiva que a menina, como o menino, beija a mãe, acaricia-a, apalpa-a; têm o mesmo ciúme se nasce outra criança; manifestam-no da mesma maneira: cólera, emburramento, distúrbios urinários; recorrem aos mesmos ardis para captar o amor dos adultos.</p>
<p>Até os doze anos a menina é tão robusta quanto os irmãos e manifesta as mesmas capacidades intelectuais; não há terreno em que lhe seja proibido rivalizar com eles. Se, bem antes da puberdade e, às vezes, mesmo desde a primeira infância, ela já se apresenta como sexualmente especificada, não é porque misteriosos instintos a destinem imediatamente à passividade, ao coquetismo, à maternidade: é porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde seus primeiros anos sua vocação lhe é imperiosamente insuflada.</p></blockquote>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#008000;"><em>O Segundo Sexo</em>, volume 2. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967, </span><br />
<span style="color:#008000;">2ª edição, pp. 9-10.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/332/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=332&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/02/13/com-a-palavra-simone-torna-se-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Muito além do feminino</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 14:32:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[imagens]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=304</guid>
		<description><![CDATA[Uma das grandes forças deste documentário de 2007, dirigido por Virginie Linhart, é mostrar por que o livro O Segundo Sexo é também dirigido aos homens, não apenas às mulheres. O vídeo, em cinco partes, traz entrevistas com conhecidas estudiosas da obra de Simone de Beauvoir na França, como Élisabeth Badinter e Danièle Sallenave, além [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=304&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das grandes forças deste documentário de 2007, dirigido por Virginie Linhart, é mostrar por que o livro <em><a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/">O Segundo Sexo</a></em> é também dirigido aos homens, não apenas às mulheres. O vídeo, em cinco partes, traz entrevistas com conhecidas estudiosas da obra de Simone de Beauvoir na França, como Élisabeth Badinter e Danièle Sallenave, além de contar em detalhes como o fato de ela ter escrito o livro foi uma superação individual do determinismo de classe e de gênero. Em francês, com legendas em espanhol, o documentário é ainda mais profundo do <a title="Olhar em seus olhos, ouvir sua voz" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/">que os vídeos que postei anteriormente</a>. (Na verdade, muitos dos trechos daqueles vídeos foram tirados daqui.)</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/"><img src="http://img.youtube.com/vi/DTmgQ3h447E/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesta segunda parte, gostei particularmente de descobrir que o filósofo François Noudelmann pensa o mesmo que eu sobre a velha história de Jean-Paul Sartre ter sido aprovado em primeiro lugar na agrégation de 1929 e Simone de Beauvoir, em segundo. O trecho está bem no início do vídeo, que também traz Sylvie Le Bon de Beauvoir, a filha adotiva de Simone, comentando uma frase <a title="Com a palavra, Simone: O amor com Sartre" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/25/simone-e-sartre/">deste trecho</a> de <a title="A Força da Idade (1929-1944)" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/12/a-forca-da-idade-1929-1944/"><em>A Força da Idade</em></a>, sobre o amor com Sartre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-5B0qrnjUwU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>No trecho abaixo, destaque para o amor de Simone e Nelson Algren (do qual falei um pouco <a title="O Existencialismo é um romantismo*" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/11/09/o-existencialismo-e-um-romantismo/">neste texto</a>) e o engano de algumas interpretações que tentam reduzir toda a vida da escritora e filósofa ao que ela manifestou em suas cartas para ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hLCURDjMeb8/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>No quarto vídeo, Judith Butler comenta a tradução inglesa do livro:</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/"><img src="http://img.youtube.com/vi/79WYr24MHJA/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na quinta parte, destaque para a análise de Élisabeth Badinter.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/"><img src="http://img.youtube.com/vi/F5jHJbpzmgc/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/304/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/304/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=304&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/28/muito-alem-do-feminino/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Com a palavra, Simone: O amor com Sartre</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/25/simone-e-sartre/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/25/simone-e-sartre/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 14:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[Com a palavra]]></category>
		<category><![CDATA[contingência]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[trechos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=294</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Muito se especula sobre as relações amorosas entre Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Há quem compreenda, há quem critique, há quem inveje, há quem nunca conseguirá entender, há quem não tente, porque o caráter único desse amor desestabiliza todas as certezas e todas as ideias feitas sobre os relacionamentos. Eu tenho minha opinião. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=294&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_298" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/shoot_beauvoir-sartre-thumb-600x3842.jpg"><img class="size-full wp-image-298  " title="Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/shoot_beauvoir-sartre-thumb-600x3842.jpg?w=500&#038;h=320" alt="" width="500" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Esta é a primeira foto do casal Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Foi feita em 1929 e pode-se dizer que a fotógrafa é a própria Simone, já que essa era uma das atrações da feira de Porte d&#039;Orleans nos anos 1920: o fotografado atirava em um alvo que, quando atingido, disparava a máquina fotográfica. Como recompensa pelo desempenho, as pessoas ganhavam a foto. Voilà!</p></div>
<p>Muito se especula sobre as relações amorosas entre Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Há quem compreenda, há quem critique, há quem inveje, há quem nunca conseguirá entender, há quem não tente, porque o caráter único desse amor desestabiliza todas as certezas e todas as ideias feitas sobre os relacionamentos.</p>
<p>Eu tenho <a title="O Existencialismo é um romantismo*" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/11/09/o-existencialismo-e-um-romantismo/" target="_blank">minha opinião</a>. Mas acho que o melhor, mesmo, é deixar Simone contar essa história aqui. Em <a title="A Força da Idade (1929-1944)" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/12/a-forca-da-idade-1929-1944/" target="_blank"><em>A Força da Idade</em></a>, ela revela como, em 1929, pouco depois de eles se conhecerem, Sartre fora designado para cumprir o serviço militar em Tours, a 200 quilômetros de Paris, a partir do ano seguinte, por 18 meses. Depois, ele havia solicitado um posto como professor de francês no Japão, onde, se aceito, ficaria dois anos.</p>
<p>O resto da história, nas palavras de Simone:</p>
<blockquote><p>&#8216;Entre nós&#8217;, explicava-me [<em>Sartre</em>] utilizando o vocabulário que lhe era caro, &#8216;trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes&#8217;. Éramos de uma mesma espécie e nossa compreensão duraria tanto quanto nós mesmos, mas ela não podia suprir as riquezas efêmeras dos encontros com seres diferentes; como consentiríamos deliberadamente em ignorar a gama dos espantos, das saudades, dos remorsos, dos prazeres que éramos também capazes de sentir? Refletimos longamente sobre isso durante nossos passeios. Uma tarde, com os Nizan, fôramos ver, no Champs-Élysées, <em>Tempestade sobre a Ásia</em> e, depois de os termos deixado, descêramos a pé até os jardins do Carrousel. Sentamos num banco de pedra ao lado de uma das alas do Louvre. Como encosto havia uma balaustrada separada do muro por um espaço estreito: nessa gaiola, um gato miava; como se metera ali dentro? E era grande demais para sair. A noite caía e uma mulher aproximou-se com um saco de papel nas mãos: tirou de dentro restos de comida e os deu ao gato, acariciando-o com ternura. Foi nesse momento que Sartre propôs: &#8216;Façamos um contrato de dois anos.&#8217; Eu podia arranjar-me em Paris durante esses dois anos e viveríamos na intimidade mais estreita possível. Depois, ele me aconselhava a solicitar, eu também, uma situação no estrangeiro. Ficaríamos separados dois ou três anos e voltaríamos a nos encontrar em algum lugar do mundo, em Atenas, por exemplo, para retomar durante um tempo mais ou menos longo uma vida mais ou menos em comum. Nunca seríamos estranhos um ao outro, nunca um de nós apelaria ao outro em vão, e nada prevaleceria sobre essa aliança; mas era preciso que não degenerasse em constrangimento, em hábito; devíamos preservá-la por todos os meios desse apodrecimento. Aquiesci. A separação que Sartre encarava não deixava de me assustar, mas esboçava-se ao longe, e eu adotara como regra não me preocupar com problemas antecipados; contudo, à medida que o medo me assaltava, eu o encarava como uma fraqueza e esforçava-me por diminui-lo; o que me ajudava é que já comprovara a solidez das palavras de Sartre. Com ele, um projeto não era conversa fiada, e sim um momento de realidade. Se me dissesse um dia: &#8216;Encontro-a daqui a vinte e dois meses, exatamente às dezessete horas, na Acrópole&#8217;, poderia estar certa de que o encontraria na Acrópole às dezessete horas exatamente vinte e dois meses depois. De um modo mais geral, sabia que nenhuma desgraça vinda da parte dele me ocorreria, a não ser que morresse antes de mim.</p>
<p>Quanto às liberdades que nos tínhamos teoricamente concedido, não se tratava em absoluto de usá-las durante o período do &#8216;contrato&#8217;; entendíamos entregar-nos sem reticência e sem partilha à novidade de nossa história. Fizemos outro pacto: não somente nenhum de nós nunca mentiria ao outro, como também não lhe esconderia nada.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Enfim, nenhuma máxima atemporal impõe a todos os casais uma perfeita translucidez: cabe aos interessados decidirem que gênero de acordo desejam atingir; não têm nem direitos nem deveres <em>a priori</em>. Na minha adolescência, eu afirmava o contrário: inclinava-me demasiado a pensar que o que valia para mim valia para todos.</p>
<p>Hoje, em compensação, irrito-me quando terceiros aprovam ou censuram as relações que estabelecemos, sem levar em conta a particularidade que as explica ou justifica: esses sinais gêmeos em nossas frontes. A fraternidade que soldou nossas vidas tornava supérfluos e irrisórios todos os laços que teríamos podido forjar. Para que, por exemplo, morarmos sob o mesmo teto se o mundo era nossa propriedade comum? E por que recear distâncias entre nós que nunca poderiam nos separar?</p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#008000;"><em>A Força da Idade</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. pp.29-31</span></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/294/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=294&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/25/simone-e-sartre/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/shoot_beauvoir-sartre-thumb-600x3842.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Olhar em seus olhos, ouvir sua voz</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 09:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[amores]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[imagens]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=280</guid>
		<description><![CDATA[Estes vídeos do programa Arquivo N, da Globonews, são preciosos. Não apenas por contar a história, recuperar fotos, reproduzir trechos obrigatórios de O Segundo Sexo e retratar a importância e a má recepção que teve o livro. O programa reuniu vários trechos de entrevistas concedidas por Simone de Beauvoir na França, imagens raras e cenas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=280&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estes vídeos do programa <em>Arquivo N</em>, da Globonews, são preciosos. Não apenas por contar a história, recuperar fotos, reproduzir trechos obrigatórios de <a title="“Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2010/10/21/segundosexo/" target="_blank"><em>O Segundo Sexo</em></a> e retratar a importância e a má recepção que teve o livro.</p>
<p>O programa reuniu vários trechos de entrevistas concedidas por Simone de Beauvoir na França, imagens raras e cenas de uma conversa/entrevista que ela fez com Sartre. Acho que os vídeos só pecam por apresentar uma análise superficial de <em>O Segundo Sexo</em> e por reproduzir uma reportagem da TV francesa de 1971 totalmente ideológica.</p>
<p>Mas, antes de pensar nisso, vejam com que desapego Simone reconta sua história, a mesma que ela registrou em seus livros de memórias. E, principalmente, aproveitem a  oportunidade de ver Simone de Beauvoir e de ouvir sua voz. É emocionante.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/"><img src="http://img.youtube.com/vi/4M4QQMRio0I/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oX28Yp-KNoQ/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/"><img src="http://img.youtube.com/vi/RqVkw0wTE3E/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/280/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=280&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/23/olhar-nos-seus-olhos-ouvir-sua-voz/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>As cidades de Simone 2 &#8211; Veneza, Itália</title>
		<link>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/21/as-cidades-de-simone-2-veneza-italia/</link>
		<comments>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/21/as-cidades-de-simone-2-veneza-italia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 22:17:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beauvoiriana</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[trechos]]></category>
		<category><![CDATA[viagens]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://avecbeauvoir.wordpress.com/?p=262</guid>
		<description><![CDATA[Se um dia eu pudesse conversar com Simone de Beauvoir – e quem visita o blog já percebeu que essa não é uma ideia que me passe pela cabeça raramente –, eu teria uma longa conversa com ela sobre Veneza. É que Simone não gostava de Veneza tanto quanto de outras cidades e chega a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=262&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se um dia eu pudesse conversar com Simone de Beauvoir – e quem visita o blog já percebeu que essa não é <a title="Feliz Aniversário, Simone" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/09/feliz-aniversario-simone/">uma ideia</a> que me passe pela cabeça raramente –, eu teria uma longa conversa com ela sobre Veneza. É que Simone não gostava de Veneza tanto quanto de outras cidades e chega a dar a entender em <a title="A Força da Idade (1929-1944)" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/12/a-forca-da-idade-1929-1944/"><em>A Força da Idade</em></a>, que preferia Nápoles. Justo Veneza, a cidade de onde eu vim e a cidade para onde eu vou, o lugar onde não sou estrangeira&#8230; E se eu falasse de Veneza para Simone acho que falaria <a href="http://wp.me/pSmI2-U">assim bonito</a> como fez Borges, na tentativa de convencê-la de que aquele lugar é especial.</p>
<div id="attachment_269" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/canal-grande2.jpg"><img class="size-full wp-image-269" title="Canal Grande2" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/canal-grande2.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Canal Grande, Veneza. Foto: Beauvoiriana.</p></div>
<p>No ano de 1933, Simone e Sartre visitaram a Itália pela primeira vez. Passaram por Roma, Milão e Veneza, que Sartre gostou muito mais do que Simone. Ele, inclusive, tem um belo livro com a cidade como cenário, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5036701&amp;sid=201161143121114432403603732&amp;k5=21DA813E&amp;uid="><em>O Sequestrado de Veneza</em></a>, e <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2862061&amp;sid=201161143121114432403603732&amp;k5=1D35AC10&amp;uid=">outro, inacabado</a>, que começou a escrever lá. Talvez Simone não gostasse tanto de Veneza porque a cidade não lhe trazia só boas lembranças. A chegada, pela primeira vez, à cidade, foi marcante:</p>
<blockquote><p>Saindo da estação, olhei com estupor os viajantes que davam aos gondoleiros o endereço do hotel, iam instalar-se, abrir as malas, arranjar-se. Eu esperava que essa ponderação nunca fizesse parte de seu quinhão. Largamos a bagagem no depósito e andamos horas, vimos Veneza com esse olhar que nunca mais se torna a ter: o primeiro. Pela primeira vez contemplamos a <a href="http://www.museumplanet.com/tour.php/venice/rcs/9"><em>Crucificação</em>, de Tintoretto</a>. Foi também em Veneza, perto da ponte do Rialto, que vimos pela primeira vez um agente da SS de camisas pardas; eram diferentes dos pequenos fascistas morenos: muito grandes, de olhos vazios, marchavam a passos duros.<br />
(<em>A Força da Idade</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p.158.)</p></blockquote>
<div id="attachment_275" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/trem.jpg"><img class="size-full wp-image-275" title="trem" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/trem.jpg?w=500&#038;h=335" alt="" width="500" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">Estação de trem de veneza. Foto: Beauvoiriana.</p></div>
<p>A Segunda Guerra se anunciava e a visão do agente da SS era apenas um dos sinais disso. Em 1935, entretanto, eles voltaram a Veneza, e foi quando aconteceu a cena mais memorável do casal por lá. Simone estava preocupada porque Sartre não estava bem. Ele sofria alucinações assustadoras. Mas eles queria rever Veneza, e isso rendeu uma bela descrição do amanhecer na cidade escrita por Simone:</p>
<blockquote><p>Lá ficamos quatro ou cinco dias e decidimos, como dois anos antes em Roma, varar uma noite inteira. Para evitar vínculos e por economia, pagamos o hotel e entregamos o quarto: não tínhamos mais um canto nosso na cidade. Andamos de café em café até fecharem, sentamo-nos nos degraus da praça São Marcos, caminhamos ao longo dos canais. Silêncio total: no <em>largo</em> ouvia-se, através das janelas abertas, a respiração das pessoas que dormiam. Vimos o céu clarear por cima das Fundamente Nuove; entre o cais e o cemitério, barcas largas e chatas deslizavam como sombras pelas águas da laguna; homens gingavam nas proas: traziam legumes e frutas de Murano, de Burano, das ilhas e das praias. Voltamos pelo centro da cidade; nos mercados, à beira do Grande Canal, iniciavam-se os negócios em meio à profusão das melancias, das laranjas, dos peixes, enquanto o dia se firmava; abriram-se os cafés, as ruas se encheram. Fomos, então, arranjar um quarto para dormir. Sartre disse-me mais tarde que durante toda essa noite uma lagosta o seguira.<br />
(<em>A Força da Idade</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010, p.274.)</p></blockquote>
<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_267" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/campanario-noite-sestiere-san-marco.jpg"><img class="size-full wp-image-267 " title="Campanario Noite Sestiere San Marco" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/campanario-noite-sestiere-san-marco.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Campanário de San Marco à noite. Foto: Beauvoiriana.</p></div>
<p>Simone e Sartre voltaram ainda a Veneza muitas vezes. Num desses retornos, em junho de 1953, quando viajavam separadamente &#8211; Simone estava com Claude Lanzmann -, eles apenas se encontraram na cidade. Em julho de 1973, quando estavam hospedados em hotéis separados, se viam todas as manhãs na Piazza San Marco, depois caminhavam pelo Campo Santo Stefano lentamente e, às vezes, almoçavam juntos no <a href="http://www.harrysbarvenezia.com/">Harry’s Bar</a>.</p>
<div id="attachment_270" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/su-ponte-rialto-matina-pioggia.jpg"><img class="size-full wp-image-270" title="Su Ponte Rialto matina pioggia" src="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/su-ponte-rialto-matina-pioggia.jpg?w=500&#038;h=334" alt="" width="500" height="334" /></a><p class="wp-caption-text">Sob a Ponte de Rialto em uma manhã de chuva. Foto: Beauvoiriana.</p></div>
<p>****<br />
Se você gostou deste post, talvez também goste do primeiro texto da série &#8220;As Cidades de Simone&#8221;: <a title="As cidades de Simone 1: Nida, Lituânia" href="http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/16/nida-lituania/">Nida, Lituânia</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/avecbeauvoir.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/avecbeauvoir.wordpress.com/262/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avecbeauvoir.wordpress.com&amp;blog=13025739&amp;post=262&amp;subd=avecbeauvoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://avecbeauvoir.wordpress.com/2011/01/21/as-cidades-de-simone-2-veneza-italia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/b8bdb90940ca9e29db50c5edded7480a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">beauvoiriana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/canal-grande2.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Canal Grande2</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/trem.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">trem</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/campanario-noite-sestiere-san-marco.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Campanario Noite Sestiere San Marco</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://avecbeauvoir.files.wordpress.com/2011/01/su-ponte-rialto-matina-pioggia.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Su Ponte Rialto matina pioggia</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
