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Archive for the ‘breves’ Category

No primeiro parágrafo de Memórias de Uma moça bem-comportada, publicado em 1958, Simone de Beauvoir descreve seu nascimento. As primeiras frases, cativantes, descrevem a foto abaixo e nada melhor para celebrar seu aniversário do que um trecho de sua escrita e a imagem que a inspirou.

Beauvoir_Gallimard_01

Nasci, às quatro horas da manhã, a 9 de janeiro de 1908, num quarto de móveis laqueados de branco e que dava para o Bulevar Raspail. Nas fotografias de família, tiradas no verão seguinte, veem-se senhoras de vestidos compridos e chapéus empenados de plumas de avestruz, senhores de palhetas e panamás sorrindo para o bebê: são meus pais, meu avô, meus tios, minhas tias, e sou eu. Meu pai tinha trinta anos, minha mãe, vinte e um, e eu era sua primeira filha.

Simone de Beauvoir, Memórias de uma moça bem-comportada,. Nova Fronteira, 2010.

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Uma vez que a linguagem não é a tradução de um texto já formulado, mas se inventa a partir da experiência indistinta, toda palavra é sempre apenas uma ‘maneira de falar’: poderia haver uma outra. É por isso que o escritor detesta ser ‘tomado ao pé da letra’, ou seja, preso, imobilizado, amordaçado pelas palavras escritas. Elas paralisam meu pensamento, quando na verdade ele nunca para.

Simone de Beauvoir. Balanço Final. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 [1972]. p. 131.

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Sartre correspondia exatamente aos meus sonhos de quinze anos: era o duplo, em quem eu encontrava, elevadas ao extremo, todas as minhas manias. Com ele, poderia sempre tudo partilhar. Quando o deixei, em princípio de agosto [de 1929], sabia que nunca mais ele sairia da minha vida.

Simone de Beauvoir. Memórias de uma moça bem-comportada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. p.345.

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