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Archive for the ‘livros’ Category

Quando esteve no Brasil, em 1960, Simone de Beauvoir conheceu a escritora Lygia Fagundes Telles na casa do editor José de Barros Martins. Alguns dias depois de se encontrarem pela primeira vez… É Lygia quem conta:

Comecei a rir de mim mesma enquanto atravessava a praça da República com o maçarote do romance [Ciranda de Pedra] na tradução do francês canadense. Envelope pesado, não? Impressionante como o pensamento pesa naquela hora da pesagem no aeroporto. E se deixasse o envelope com o seu conteúdo ali esquecido num dos bancos do jardim? Ainda assim, arrisquei, vamos apostar? Levo o livro até o hotel e pronto, melhor ainda se o casal não estiver. Imaginá-lo esquecido numa poltrona era menos deprimente do que deixá-lo ali no banco de pedra da praça.

Alguns dias depois, a carta de Simone de Beauvoir. Veio num papel todo quadriculado, o curioso papel que me fez pensar nos antigos cadernos de aritmética da minha infância e onde eu deixava cada número dentro de seu quadradinho – mas não era mesmo extraordinário? O papel disciplinado e a letra tão rebelde, difícil, num estiramento de libertação no papel com as fronteiras dos quadradinhos azuis. Quer dizer que me enganei? Não só tinha levado o livro, mas confessava, gostou do livro, ah, gostou sim, lamentava apenas que essa não fosse uma tradução no francês parisiense.

Meu gato veio miando, queria mais leite. Enchi a tigela até a borda. Era um amado gato sem raça nem caça e por isso o que fiz na sua cabeça solicitante não foi uma carícia, mas um agrado.

Lygia Fagundes Telles. Papel quadriculado. In: Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002. pp. 37-38.

*****
Este texto me emociona particularmente pela bela descrição de Lygia sobre a letra e o papel em que Simone de Beauvoir escrevia. Simone amava o papel quadriculado, e sua letra é uma das mais terríveis. Lygia soube captar o que o papel disciplinado representava para a alma rebelde de Simone. Este post é uma homenagem a Lygia Fagundes Telles, escritora amada que faz 90 anos neste 19 de abril de 2013.

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Lygia Fagundes Telles.

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O designer Peter Mendelsund inspirou-se nos cartazes das manifestações de rua de Maio de 1968 em Paris para criar capas para edições em inglês no formato ebook de três obras de Simone de Beauvoir: Adieux (Cerimônia do Adeus, na edição brasileira), A Very Easy Death (Uma morte muito suave) e The Woman Destroyed (A mulher desiludida).  As capas, você vê abaixo. A história de como elas foram criadas, um belo relato da relação de Mendelsund com a obra de Simone de Beauvoir e com Paris, você pode ler em seu blog, Jacket Mechanical.

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A Editora Nova Fronteira (parceira deste blog) e a Editora Objetiva acabam de lançar reimpressões de livros preciosos para quem gosta de Simone de Beauvoir, ou para quem quer estudá-la.

Da Nova Fronteira, a reimpressão de O Segundo Sexo em volume único, que recomendo veementemente e sobre o qual escrevi aqui.

Da Objetiva, o livro Tête-à-tête, que conta a história do relacionamento de Simone de Beauvoir e Sartre, uma proposta de relação e uma experiência existencial que marcou época, deixou marcas no século 20 e, claro, rompeu muitas barreiras e padrões. Leia mais aqui.

Livros que vale a pena ter na estante. Boa leitura.

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