Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘violência’ Category

A partir deste mês, farei uma seleção de notícias e artigos citando Simone de Beauvoir. O objetivo é conhecer um pouco mais como o nome e o legado de Simone aparece na mídia mundial e não estou necessariamente de acordo com os conteúdos dos textos. No mês de julho inclui:

  • Baseadas nas regras que são contra o uso de símbolos religiosos nos jogos, feministas francesas da Ligue du Droit International des Femmes, fundada por Simone de Beauvoir, criticaram a autorização do Comitê Olímpico Internacional para que mulheres atletlas de países islâmicos usassem véu durante as competições de Londres 2012.  No site do Humanité.
  • LaJohn Joseph, comediante e drag queen que diz não se sentir como drag queen, fala das mulheres que foram importantes na sua construção de gênero. Simone de Beauvoir entre elas. No site do The Independent.
  • A Asociación Leonesa Simone de Beauvoir, da Espanha, que há 25 anos trabalha para na prevenção da violência contra a mulher, recebeu recursos para criar uma casa de apoio a vítimas. No Diario de Leon.
  • Em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, Jean-Paul Sartre foi mobilizado. Simone de Beauvoir saiu, então, de Paris e passou algum tempo na comuna francesa de La Pouëze, onde escrevia Phyrrus et Cinéas. O fato foi narrado no site francês Ouest-France, mas os detalhes podem ser conhecidos no site do Ministério da Cultura da França.

Read Full Post »

Hoje, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, é o momento  para lembrar e defender todas as mulheres que foram e são vítimas de violência física ou psicológica por um fato simples: aprenderam, ao longo da vida familiar, escolar e social a serem mulheres. Sim, porque, segundo Simone de Beauvoir não nascemos mulheres, mas nos tornamos mulheres ao aprendermos comportamentos, formas de pensar e de agir em função de nosso gênero.

Quando Simone de Beauvoir nos diz que nos tornamos mulheres, ela fala de um processo que é moldado por uma violência oculta. Uma violência que se apresenta sob a forma de mitificação do “universo feminino”, da “feminilidade” e do “maternal”. Uma violência que se esconde sob palavras bonitas como “altruísmo”, “generosidade”, “sinceridade”, “dedicação”, “docilidade”, “passividade” e tantas outras que, ao mesmo tempo que escondem, naturalizam a violência contra a mulher. Uma violência que aprisiona a mulher na condição de “carinhosa”, “amorosa”…

Em O Segundo Sexo (pdf), Simone mostra como a identificação da mulher com tudo o que é singelo, pacífico, generoso, dócil e altruísta é, na verdade, uma forma de desautorizar completamente a autonomia feminina. É também um modo de destruir a capacidade da mulher se proteger de uma violência que mutila corpos e almas, que destrói sonhos e projetos de vida e que enreda famílias inteiras em um ciclo repetitivo: mães e filhas apanham (para dizer o mínimo) de pais e dos irmãos. Estes se tornarão pais um dia e espancarão, violentarão, humilharão suas esposas e filhas, ensinando às novas gerações que “se tornar mulher” é se submeter calada à violência, não se defender, não reagir e não denunciar.

As mulheres passam infância e adolescência, ainda hoje, aprendendo que sua existência se constrói para o homem e que devem ser carinhosas, submissas, atraentes para eles. Qualquer ação que possam tomar a favor de si mesmas e de sua integridade é considerada feia, máscula, reprovável. Enquanto as meninas estão lidando com uma infinidade de interdições, cujo objetivo é “domar” sua agressividade, os meninos estão sendo incitados a “não levar desaforo para casa”, “a defenderem sua honra”, a “pagarem na mesma moeda”… Ou, como diz Simone em O Segundo Sexo:

A mulher não tem geralmente acesso ao universo da violência; nunca passou pela prova que o rapaz enfrentou e superou através das brigas da infância e da adolescência: ser uma coisa de carne sobre a qual outro pode dominar; e agora ela é empunhada, arrastada a um corpo-a-corpo em que o homem leva a melhor; não tem mais a liberdade de sonhar, de recuar, de manobrar: está entregue ao macho que dispõe dela. (p. 121 de O Segundo Sexo, Volume 2 do pdf acima)

Os discursos repetitivos para homens e mulheres todas conhecemos. Mesmo que em nossas casas não tenham sido reproduzidos, são lugares-comuns de uma cultura machista que, de forma oculta e perniciosa, faz da mulher o alvo naturalizado da violência.

Contra toda afronta, contra toda tentativa de reduzi-lo a objeto, tem o homem o recurso de bater, de se expor aos golpes: não se deixa transcender por outrem, reencontra-se no seio de sua subjetividade. A violência é a prova autêntica da adesão de cada um a si mesmo, a suas paixões, a sua própria vontade, recusá-la radicalmente é recusar-se toda verdade objetiva, é encerrar-se numa subjetividade abstrata; uma cólera, uma revolta que não passam pelos músculos são coisas imaginárias. (p. 69, Volume 2)

Os homens aprendem a solucionar conflitos pela violência e as mulheres aprendem que a violência “é feia” e é “natural” apenas nos homens. E assim, eles são legitimados na posição de agressores e as mulheres, na posição de vítimas.

Neste dia pela eliminação da violência contra a mulher, talvez valha a pena questionarmos a reprodução dessa lógica no cotidiano, nos discursos, nas imagens, nas ações judiciais que desautorizam até mesmo o que está na lei, como acontece em casos de desrespeito à lei Maria da Penha.

Enquanto essa lógica persistir, a violência – seja ela física, sexual, psicológica, moral ou simbólica – contra a mulher também continuará existindo, se reproduzindo, mutilando, destruindo e matando.

___________

As blogueiras feministas estão empenhadas a discutir formas, causas e consequências da violência contra a mulher. Participe do debate, conheça os múltiplos fatores que fazem com que essa violência persista e insista.

___________
Saiba mais e mobilize-se: Diga não á violência contra a mulher – coloque seu nome na lista da UNIFEM Say no To Violence Against Women. No mesmo site você encontra fatos e números sobre a violência contra a mulher em todo o mundo e informações sobre o Dia da Ação Global contra o Militarismo e a Violência contra a Mulher, que acontece em 29 de novembro. A imagem acima eu emprestei do site de um post no site da Anistia Internacional.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: